quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Advogados Contra a Ditadura

Descrição para cegos: imagem do filme com o título
Os Advogados Contra a Ditadura - Por uma Questão
de Justiça estampado sobre foto de rostos desfocados.
A palavra “ditadura” contrasta das demais, escrita
na simulação de uma mancha de sangue.

Por Bruna Ferreira                                                              

“Os advogados contam a face mais suja do regime”. A frase do documentário Os Advogados Contra a Ditadura: Por uma Questão de Justiça, com direção de Silvio Tendler, é a que melhor explica a importância do documentário.
O filme propõe uma reflexão sobre o papel desses profissionais contra o autoritarismo e na defesa pela liberdade. A combinação de depoimentos de advogados que atuaram durante o regime militar em defesa de presos políticos com registros fotográficos e documentos da época consegue transmitir ao espectador tanto o sentimento pessoal de cada um, como a situação geral em que eles, enquanto categoria profissional, se encontravam.
A narrativa segue a ordem cronológica dos eventos: tem início com depoimentos sobre o início da ditadura e prossegue até a abertura com a lei de anistia. O documentário mostra que dentro da categoria, dependendo da situação e da defesa em que estavam empenhados, os advogados sofriam mais ou menos repressão. Os mais perseguidos eram os que atuavam na defesa dos camponeses.
O documentário está disponível no YouTube e vale a pena ser visto, pois como o próprio Silvio Tendler diz no final, “É uma colaboração para um debate que a sociedade brasileira não pode evitar. Um debate sobre Memória, Verdade e Justiça.”

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

O atraso causado pela ditadura na resistência LGBT

Descrição para cegos: foto da bandeira do movimento
LGBT, formada por faixas horizontais com as cores do
arco íris, levantada em um mastro e balançando com
vento.
Por Bruna Ferreira


Por volta dos anos 60, movimentos de liberação sexual ganharam força na Europa e nos Estados Unidos. Apesar do discurso proposto por esses grupos repercutir no Brasil, o período foi marcado pela repressão aos grupos de resistência LGBT que tentavam se organizar.
O Estado exigia que os cidadãos seguissem um padrão de moral conservador e fez com que homossexuais e travestis fossem perseguidos e presos por policiais, sob a alegação de defesa da moralidade defendida pelo governo. A comunidade LGBT vivia, assim, um medo constante.
A moral defendida pelo Estado foi usada também como pretexto para censurar as artes com temática LGBT. A televisão, meio de comunicação mais massificado na época, era que sofria mais censura, pois os militares acreditavam que a abordagem de temas ligados à homossexualidade podia corromper os jovens, além de associar o tema a pornografia.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Gaiola

Descrição para cegos: desenho consta de uma gaiola à esquerda, da qual 8 pássaros saem voando para a direita.

Por Thalany Lima
Aprisionaram-me.
Torturaram-me.
A dor física,
E psicológica,
Presa num poço de desventura.
Minh’alma buscava algum refúgio,
Pensava nos laços de sangue,
Na vitória no fim dessa luta.
Tentaram-me calar,
Mudar o meu pensar,
Mas, eu...
Não sou passarinho que se cala,
Voo em bando,
Luto pra sobreviver,
Bato asas em meio à tempestade,
Pra no fim chegar à primavera,
Mais forte e mais sábia.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Ditadura militar e violência sexual


Descrição para cegos: foto de Glenda Mazarobba ao lado do seguinte texto: “mestre e doutora em Ciência Política pela USP, consultora do PNUD para a Comissão Nacional da Verdade”.

A violência sexual durante a ditadura é tema de uma vídeo disponibilizado no YouTube pelo canal Casa do Saber. Nesse vídeo, Glenda Mazarobba, mestre e doutora em Ciência Política, fala sobre a utilização desse recurso como instrumento de tortura contra mulheres pelas forças da repressão. Segundo Glenda, muitas vítimas foram molestadas nos cárceres da ditadura, mas não tinham noção de que se tratava de uma forma de violência sexual. Para assistir ao vídeo, clique aqui . (Thalany Lima)

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Operação Condor: cooperação pela repressão

Descrição para cegos: mapa da América do Sul,
com os nomes dos países dentro de seus territórios.
Por Marina Ribeiro


Na década de 1970, o Brasil não era a única ditadura na América do Sul. Nossos vizinhos Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai, além do Chile, também estavam sob governos militares.
A fim de aumentar a repressão aos inimigos desses regimes, uma aliança político-militar foi criada entre esses países no ano de 1975. Batizada de Operação Condor, em alusão à ave dos Andes, a aliança teve três principais fases.
Na primeira, houve a troca de informações entre os países; na segunda, começaram as trocas e execuções dos opositores que estivessem em qualquer um dos países-membros e, na terceira, houve perseguições e mortes dos inimigos no exterior.
O Brasil participou ativamente das duas primeiras fases, não havendo indícios suficientes que confirmem sua participação na morte de opositores fora do nosso continente.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Henning Boilesen: um financiador da tortura

Descrição para cegos: foto de Boilesen sentado, lendo discurso em uma folha de papel. Atrás dele aparecem algumas bandeiras. Ao alcance da sua mão, está uma taça com água.

Por Bruna Ferreira

         Henning Albert Boilesen, dinamarquês naturalizado brasileiro, ganhou seu lugar de importância no meio industrial principalmente por ser presidente da empresa Ultragás, uma das maiores distribuidoras de gás no país, nas décadas de 1970/80. Mas Boilesen também é uma da importante figura para entender como a classe empresarial estava financiando a ditadura no Brasil.
Assim como outros empresários ligados à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Boilesen foi um financiador da Operação Bandeirantes, a Oban, organizada em 1969 com o intuito de desarticular grupos revolucionários comunistas que surgiam na época, e cujo principal método usado para investigação desses grupos era a tortura.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

“Apesar de você, amanhã há de ser outro dia...”

Descrição para cegos: capa do disco “Chico Buarque”, de 1978. Nela, em primeiro plano, Chico Buarque aparece sorrindo para a câmera e, atrás dele, algumas plantas.


Por Marina Ribeiro

Ao voltar ao Brasil em 1970, depois de um autoexílio na Itália, Chico Buarque encontrou um regime ainda mais repressivo, sob o governo do presidente Médici. Censura em todas as partes perseguiam compositores como ele. Enquanto isso, uma onda nacionalista crescia, representada por músicas como Eu te amo, meu Brasil, da dupla Dom & Ravel.

sábado, 18 de novembro de 2017

“Movimento” – um jornal pela democracia

Descrição para cegos: capa do jornal “Movimento”. Nela, há uma foto de um homem olhando diretamente para a câmera e acima a manchete “Como desapareciam os mortos da tortura”. Ao lado da foto, estão chamadas de outras matérias. Sobre o nome do jornal, há uma tarja preta onde se lê “Governo ganha por um triz”.
Por Marina Ribeiro

Criado como um “jornal de jornalistas”, sem a figura de um patrão, o jornal Movimento foi um dos mais importantes exemplos da imprensa alternativa na época da ditadura militar. Foi idealizado por alguns profissionais que haviam trabalhado em outro semanário alternativo, o jornal Opinião. Raimundo Rodrigues Pereira era seu editor-chefe e sua sede ficava na capital paulista. A primeira edição, que chegou às bancas em 7 de julho de 1975, contou com 70 colaboradores.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

MPF denuncia genocídio indígena no Amazonas



Descrição para cegos: foto de vários integrantes do povo indígena olhando para câmera.

Em agosto deste ano, o Ministério Público Federal no Amazonas entrou na justiça cobrando indenização de 50 milhões de reais e um pedido de desculpas da União pelo genocídio em grande escala contra indígenas Waimiri-Atroari na época da ditadura. A violência aconteceu durante a construção da BR-174, que liga Manaus a Boa Vista, e que foi construída diante de forte resistência da etnia que ocupa a região. O MPF alega que entre as décadas de 70 e 80, a população indígena caiu de 3 mil para apenas 332 indivíduos. Confira a notícia aqui, no site da Agência Brasil(Carlos Germano)

terça-feira, 14 de novembro de 2017

A farsa de Quintino


Descrição para cegos: montagem com fotos das três vítimas e, abaixo de cada foto, o nome de uma delas. Foto: jornalistas.org.br

Por Marina Ribeiro

Avenida Suburbana 8.985, número 72, bairro de Quintino, Rio de Janeiro. Ali, em 29 de março de 1972, agentes do DOI-Codi foram recebidos a tiros ao entrar em um aparelho subversivo da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR- Palmares). Revidando em legítima defesa, os agentes mataram três militantes. Essa foi a versão oficial do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) na época. Porém, mais de 40 anos depois, a verdade veio à tona.

domingo, 12 de novembro de 2017

Ministro do STJ faz enquete sobre intervenção

Descrição para cegos: foto do resultado final da enquete no Twitter. Nela, consta a seguinte pergunta: "Você é o juiz: o Brasil deve sofrer intervenção militar?". Logo abaixo, aparece a porcentagem finalizada de votos, que é de 49% para sim e 51% para não.


Em meados de setembro, uma pergunta nada peculiar ganhou destaque no twitter do ministro do Superior Tribunal de Justiça, Og Fernandes. O magistrado questionava o seguinte: “O Brasil deve sofrer intervenção militar?”. Ganhando logo grande alarde na rede social, a questão foi alvo de duras críticas, como também não deixou de atrair aqueles que simpatizam com a suposta ideia da volta do regime militar. Em sua defesa, perante a repercussão negativa, o ministro alegou que foi simplesmente uma pergunta neutra, e que reflete uma temática atual do cenário político brasileiro. O caso foi tema de reportagem do Nexo Jornal. Para ler, clique aqui. (Carlos Germano)

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Estudo analisa atuação do ministério público em ações contra anistia de torturadores

Descrição para cegos: foto de Heloísa Clara sorrindo para a câmera.

O trabalho foi realizado por Heloísa Clara Gonçalves, no Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos da UFPB. A pesquisa estudou as ações judiciais propostas pelo Ministério Público contra militares que cometeram crimes na época da ditadura. Em 1979, já no findar do regime militar brasileiro, foi editada a Lei da Anistia. Ela perdoou os crimes considerados políticos e os crimes praticados por funcionários públicos e militares para manutenção do regime. A repórter Luciana Duarte entrevistou Heloísa Clara para o Espaço Experimental, programa que vai ao ar todos os sábados, na Rádio Tabajara AM (1.110 kHz), às 9 horas, produzido pela Oficina de Radiojornalismo do Curso de Jornalismo da UFPB. (Carlos Germano)

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

O atentado frustrado ao Riocentro

Descrição para cegos: cartaz do show que ocorreu no Riocentro em 30 de abril de 1981. No cartaz há o desenho de um homem cantando usando uma ferramenta como microfone além da lista dos artistas confirmados.

Por Marina Ribeiro


Na véspera do Dia do Trabalho de 1981, cerca de 20 mil jovens estavam no centro de convenções Riocentro, na capital fluminense, para um show de música popular brasileira que contava com artistas como Chico Buarque, Fagner, Luiz Gonzaga Jr., Elba Ramalho e Djavan. O show em comemoração aos trabalhadores poderia ter acabado de forma trágica.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Da tortura à resistência


Descrição para cegos: foto da entrada do memorial, onde está escrito “Memorial da Resistência de São Paulo: conquistas e desafios” ao lado da marca da instituição, constituída de 3 linhas horizontais e 3 verticais, que sugerem grades e cruzes (de Larissa Isabelle Herrera Diaz).

Por Marina Ribeiro

A partir da década de 1920, vários estados brasileiros criaram seus órgãos de repressão a crimes políticos, tendo, quase sempre, a sigla Dops para designar Departamento (ou delegacia) de Ordem Política e Social. Sob o governo
O de São Paulo foi o mais conhecido. Durante o Estado Novo e, principalmente, o Regime Militar, o Dops paulista agiu com mais intensidade para reprimir os “inimigos do sistema”. Investigou e fiscalizou movimentos sociais, greves, sindicatos, manifestações, e prendeu aqueles que apresentavam riscos ao regime.