quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Wolinski e o homem comum

Descrição para cegos: a imagem mostra um desenho do rosto de Wolinski.

por Carmélio Reynaldo

No início dos anos 70, sob censura, catando nas livrarias e bancas de revista, era possível encontrar algo para ler que proporcionasse satisfação a quem não se conformava com o discurso de exaltação à ditadura. É o caso da revista O Grilo, na qual conheci o trabalho de Wolinski.
De suas histórias, uma me persegue todos esses anos. A morte de Wolinski, ontem, num ataque terrorista à revista Charlie Hebdo, onde trabalhava, terminou a construção dessa sombra que vai me cobrar mais indignação diante da violência como política.
A história a que me refiro contava o sequestro de um cidadão comum por um grupo armado em conflito com um Estado. O grupo, diante da apatia da opinião pública, radicaliza raptando uma pessoa escolhida a esmo, pretendendo, assim, mostrar à sociedade que qualquer um pode ser atingido pelo conflito, pelas questões políticas, mesmo quando tenta se manter à margem, indiferente.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Para compreender melhor a ditadura

Descrição para cegos: ilustração construída com a montagem de 10 cenas de filmes sobre a ditadura. Elas mostram jovens presos, sob tortura, treinando tiro e, por último, imagem real de um grupo de militantes antes de embarcar em avião para o exílio, em troca de um embaixador sequestrado.

O site da Revista Fórum traz uma lista de 50 filmes para compreender melhor o período da Ditadura Militar no Brasil. Dentre os filmes, há biografias como a de Jango (1984) e a de Zuzu Angel (2006), documentários como Vlado: 30 anos (2005) e Cabra Marcado Para Morrer (1984) e também filmes de ficção como o Em Teu Nome (2009). Além do valor histórico desses filmes, alguns deles são obras primas do cinema nacional como o filme de Bruno Barreto, O Que é Isso, Companheiro? (1997). Vale a pena conferir para saber mais da história do Brasil e para que aqueles dias de tortura e dor jamais sejam esquecidos ou repetidos. (Samara Mello)

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Reportagem retrata a repressão militar no Araguaia

Descrição para cegos: imagem mostra foto de Helenira Rezende de Souza Nazareth, membro do Partido Comunista Brasileiro, olhando diretamente para a câmera. 
Helenira Rezende de Souza Nazareth foi uma estudante, esportista e integrante do Partido Comunista Brasileiro. Morta por militares com golpes de baioneta, após tortura, na guerrilha do Araguaia, Fátima, como era conhecida entre os companheiros de luta, teve as pernas metralhadas, logo após ter matado um soldado com tiro de espingarda e ferido outro com disparos de revólver, segundo o Relatório Arroyo, escrito pelo dirigente do PCdoB, Ângelo Arroyo.
Conhecida na cidade de Assis, onde passou toda a adolescência, como Nira e pelos amigos da USP, onde cursou Letras e ingressou na UNE, como Preta, ela foi uma excelente esportista, tendo praticado basquete e atletismo, destacando-se na pequena cidade do interior paulista. Preta também fundou o grêmio estudantil da escola Prof. Clibas Pinto Ferraz, onde cursou o ensino médio e ingressou na vida política, ainda em Assis.
Ameaçada de morte pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, no Dops, onde ela foi presa junto com os companheiros de movimento estudantil enquanto participavam do XXX Congresso Nacional da UNE, em Ibiúna-SP, a então vice-presidente da União Nacional dos Estudantes decidiu juntar-se à guerrilha do Araguaia.
Nira, Preta ou Fátima - os diversos nomes de Helenira Rezende de Souza protegeram a estudante, atleta, política e guerrilheira enquanto estava junto com os companheiros de luta na guerrilha do Araguaia, mas não impediram sua tortura, tanto quanto o local de sepultamento de seu corpo ter se perdido no meio das lendas criadas em torno de sua morte.
O documentário do canal esportivo ESPN conta um pouco da trajetória de Helenira, cria comparações entre ela e a presidenta Dilma Rousseff, além de apresentar o drama vivido pelos moradores do município de Xambioá-TO, vizinhos dos guerrilheiros. Veja aqui (Geri Junior)

domingo, 12 de outubro de 2014

Prêmio Vladimir Herzog tem vencedor paraibano

Descrição para cegos: imagem mostra o logotipo da premiação, um V seguido de um H e uma gota vermelha, seguido pela legenda "3º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos".

Os vencedores do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos foram conhecidos no último dia 30 de setembro, em uma sessão pública da Câmara Municipal de São Paulo.
O prêmio acontece em âmbito nacional e tem oito categorias. Ele promove o reconhecimento de jornalistas com trabalhos voltados à promoção da democracia, cidadania e direitos humanos e sociais.
Nesta edição, o vencedor da categoria Rádio foi o jornalista da CBN João Pessoa Hebert Araújo. Ele conquistou o prêmio com a matéria “História de Flor”, na qual narra a vida da líder sindical paraibana Margarida Maria Alves, assassinada em 1983.

Confira aqui a lista completa dos vencedores e aqui a matéria vencedora da categoria rádio. (Samara Mello)

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Ditadura Militar no Brasil é pano de fundo da peça Mercedes


Descrição para cegos: imagem mostra o cartaz de divulgação da peça, com o rosto dos atores lado a lado com feições sérias e óculos escuros.

Matéria produzida pela repórter Carolina Ferreira para o Espaço Experimental sobre a peça Mercedes do professor de teatro da UFPB Paulo Vieira.
A peça Mercedes tem como tema a Ditadura e traz também o canto e dança. Ela narra a história de uma militante do Partido Popular de Libertação que luta contra a ditadura militar no Brasil. Segundo Paulo Vieira, autor e diretor da peça, em Mercedes não encontraremos um recorte histórico da ditadura, mas a possibilidade de construção de um novo olhar sobre esse período da história do Brasil. (Polyanna Gomes)

 Para mais informações acesse o link


domingo, 31 de agosto de 2014

Documento histórico: uma ponte para o passado

                Imagem retirada do site Unilasalle


Memorial Virtual da I Guerra Mundial é feito em Portugal e reverencia combatentes nacionais. A iniciativa partiu do Arquivo Histórico Militar (AHM), e caracteriza-se como mais um instrumento de resgate a partir de documentos. 
Pode ser encontrado no endereço: http://www.memorialvirtual.defesa.pt 
(Hermes Franco)

Para mais informações, acesse o link: http://www.sol.pt/noticia/110277

sábado, 30 de agosto de 2014

Grupo estuda influência das esquerdas na República Velha

Descrição para cegos: a imagem mostra o Professor e Pesquisador Giscard Agra olhando diretamente para a câmera.
Foto: Polyanna Gomes
O projeto de pesquisa visa, por meio do estabelecimento de diálogo entre literatura historiográfica e jurídico-constitucional, compreender os contextos cultural e intelectual em que cada uma das Cartas Constitucionais brasileiras foi produzida. As Esquerdas nos domínios de direita: anarquismo e comunismo na República Velha promove um resgate e uma reconstrução do cenário no qual elites intelectuais, partidos políticos e movimentos sociais atuavam no contexto nacional.

Em entrevista ao programa do Laboratório de Radiojornalismo da UFPB, o Espaço Experimental, o professor e orientador Giscard Agra explica o projeto. (Polyanna Gomes)

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Acerto de contas com a Transparência Pública

Cartilha Arquivos Públicos Municipais
Fonte: Conarq


O Tribunal de Contas da Paraíba se associou ao Conselho Nacional de Arquivos (Conarq), visando promover o resgate, a memória e a transformação da transparência como fatores rotineiros. Essa parceria busca instituir uma política de arquivos públicos municipais para João Pessoa. (Hermes Franco)
Para saber mais, clique no link:

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

O Arquivo Miroel Silveira e a censura ao teatro


Descrição para cegos: imagem mostra protestantes com cartazes com frases como “censura não” e “teatro é cultura, cultura é liberdade”.
         Com a coordenação da professora Maria Cristina Castilho Costa e produção de conteúdo do professor Ferdinando Martins, funciona na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo o projeto Comunicação e Censura: análise teórica e documental de processos censórios a partir do Arquivo Miroel Silveira da biblioteca da USP. O projeto teve início em 2009 com financiamento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). O arquivo é responsável por estudar mais de seis mil processos de censura prévia ao teatro durante o período Vargas, de 1930 a 1945, e durante o início da ditadura, de 1964 a 1970. (Andrezza Carla)


Mais informações no link: http://www.eca.usp.br/ams/

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Estudantes criam site sobre a censura musical durante o regime militar


Descrição para cegos: imagem mostra uma pilha de discos de vinil com uma faixa escrita “censurado”.

Os estudantes de jornalismo André Rocha, Gabriel Pelosi e Lucas Mota, da Universidade Mackenzie de São Paulo, realizaram o trabalho de conclusão da graduação com o tema: “Efeitos da censura na produção musical durante o regime militar.
Surgiu a ideia de transformar o trabalho acadêmico em um site, o censuramusical.com. Ele se baseia nas músicas conhecidas pelo grande público, assim como também nas inúmeras composições de artistas populares que tiveram suas obras vetadas. No site se pode acessar documentos, entrevistas e legislação. (Polyanna Gomes)
Para conhecer o site, clique no link
http://www.censuramusical.com.br/

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O que acontece nos porões das delegacias?

Descrição para cegos: imagem mostra um grupo de policiais formando uma barreira e atirando.
Após pouco mais de um ano do caso Amarildo, ajudante de pedreiro que desapareceu durante uma operação policial na Favela da Rocinha, a pergunta principal ainda persiste: afinal, onde está Amarildo?
Um estudo recente feito pela Anistia Internacional mostra que os abusos continuam sendo praticados na maior parte do mundo, inclusive no Brasil. De acordo com o relatório “Tortura em 2014 – 30 anos de promessas não cumpridas”, a tortura ocorre nos porões de delegacias, presídios e quartéis. Esses abusos são cometidos pelas forças de segurança de forma rotineira, principalmente durante o policiamento de manifestações, como os protestos ocorridos com a chegada da Copa do Mundo de 2014.
A investigação do caso de Amarildo Souza Lima concluiu que o pedreiro morreu em consequência de tortura sofrida na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha. O caso ganhou uma ampla repercussão, mas está longe de ser um fato isolado.
         50 anos após o fim da ditadura, militares ainda negam a existência da tortura institucionalizada, mesmo com todas as evidências de policiais violentos, corruptos e que contam com a impunidade para perpetuar atos brutais como o que vitimou Amarildo e tantos outros. Segundo a Anistia Internacional, muitos Governos combatem, outros toleram e alguns a adotam como política de estado. (Anne Nunes)

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Breves benefícios nos dois anos da Lei de Acesso à Informação

Imagem retirada da página da Controladoria Geral da União

A Lei de Acesso à Informação traz, para o cidadão comum, o seu direito à transparência; para os arquivistas, o seu papel de conscientizadores protagonistas; e, para os gestores públicos em esfera federal, estadual e municipal, evidencia a garantia do atendimento a população.

Esta lei já completou dois anos de funcionalidade e tornou obrigatório um melhor acesso à informação, maior transparência pública ativa e passiva (trâmites de atendimento para o público), gestão, direito e classificação informacional mais bem elaborada, além de formas de acompanhamento dos processos. É a consolidação da acessibilidade na esfera pública, uma conquista alicerçada desde maio de 2012, para todos os cidadãos. (Hermes Franco)
Para saber mais, clique no link:

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Elizabeth Teixeira e João Pedro Teixeira: sinônimo de luta e de dor

Descrição para cegos: trata-se de uma foto antiga, do casal Elizabeth e João Pedro sentados, cercados de 11 filhos e filhas. A primogênita, que também está sentada, segura o caçula, ainda um bebê, no colo.

Elizabeth Teixeira, paraibana, nascida em 13 de fevereiro de 1925, no município de Sapé, construiu uma vida em meio a lutas por justiça, terra, liberdade e perdas, provocadas pelo regime militar.
Elizabeth é viúva do líder camponês João Pedro Teixeira, que teve sua trajetória retratada em uma narrativa documental pelo cineasta Eduardo Coutinho. João Pedro fundou , em 1958, a Associação dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas de Sapé, a primeira liga camponesa fundada na Paraíba, que passou a atuar a partir da década de 1960, como ferramenta de organização do movimento agrário.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Ivo Herzog e a importância da retificação do atestado de óbito do pai

Descrição para cegos: a imagem mostra a certidão de óbito
de Vladimir Herzog.

Na quarta-feira 30 de julho, Ivo Herzog, filho do jornalista Vladimir Herzog, morto pela ditadura militar, falou sobre a importância da mudança do atestado de óbito de seu pai. O diretor do Instituto Vladimir Herzog participou da II Semana de Jornalismo, organizada pelo Centro Acadêmico de Jornalismo da UFPB.
No registro de 1975 (durante a ditadura militar) constava que Vladimir havia morrido por asfixia mecânica, imputando-se na época suicídio. No entanto, em 2012, a viúva Clarice Herzog solicitou a retificação do óbito, pedido este encaminhado à Justiça por Gilson Dipp, primeiro coordenador da Comissão Nacional da Verdade.
Ivo Herzog falou aos alunos e professores da Universidade Federal da Paraíba que a retificação do atestado de óbito de Vladimir Herzog representa uma “abertura da ‘porteira’ para que outras famílias de assassinados políticos sigam o caminho da busca pela verdade, já que a primeira certidão de óbito de Vladimir encobria a real causa da morte”.
Em 15 de Março de 2013 a família do jornalista recebeu um novo atestado de óbito do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP), que traz como causa da morte “lesões e maus tratos sofridos durante interrogatório nas dependências do 2º Exército DOI-Codi”.