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sábado, 5 de agosto de 2017

Ñasaindy Barrett de Araújo, a filha de Soledad (ed. 29/7/2017)

Descrição para cegos: foto de Ñasaindy no estúdio, falando ao microfone.

           Ela nasceu em Cuba, veio para o Brasil aos 11 anos e durante muito tempo viveu sem a documentação que refletisse sua verdadeira filiação: José Maria Ferreira de Araújo, de família paraibana, e Soledad Barrett Viedma, paraguaia, ambos mortos pela ditadura. Os impactos e encontros que a vida lhe trouxe, Ñasaindy transformou em poesia, que ela reuniu no livro Do que foi pra ser Agora, em pré-venda pela Editora Mondrongo. Sobre o livro, sua história e a dos seus pais, Ñasaindy foi entrevistada para o Espaço Experimental pela repórter Marina Cabral.O programa é uma produção da Oficina de Radiojornalismo do Curso de Jornalismo da UFPB e vai ao ar na Rádio Tabajara AM (1.110 KHz) todos os sábados, às 9h. (Bruna Ferreira)


sábado, 17 de junho de 2017

A alucinação de Belchior e um chamado à juventude

Descrição para cegos: foto de Belchior tocando violão.

Por Matheus Couto 

Alucinação é o segundo álbum do músico cearense Belchior, lançado em 1976. Tem 10 faixas, algumas das mais famosas de sua carreira e é considerado por muitos a obra-prima de sua carreira, pois diversas dessas faixas foram regravadas por grandes nomes da música brasileira como Elis Regina.  

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Poemas do cárcere

Descrição para cegos: foto do livro citado no texto
 em cima de outros livros. A capa do apresenta
 uma parede de tijolos que lembra os 
muros da prisão e, sobre ela, estão
 escritos os nomes da obra e do autor.
Por Cibelle Torres

Vanderley Caixe procurando pelo sono ou recordando-se de Dionila camponesa; atormentado na pequena cela ou passeando por entre outros presos no pátio da prisão; pensando no novo homem que vive para o capital ou tomado pelo silêncio quando chega a noite em Presidente Wenceslau, narra por meio de 19 poemas os momentos vividos por ele enquanto esteve na prisão.
Em 1969, na região de Ribeirão Preto, Vanderley e alguns jovens estudantes, operários e camponeses foram presos e torturados, porém, mesmo encarcerados, seguiram lutando por meio de denúncias, protestos e greves de fome; e, entre lutas e torturas, os poemas foram surgindo.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

A música inerente à luta

Descrição para cegos: a imagem mostra a capa do LP
Cantata pra Alagamar, que é composta por três fotos de
camponeses reunidos e o nome da obra na parte superior. 

Por Bianca Patrícia

A Cantata pra Alagamar não se trata da utilização de uma luta como mero eixo temático para composições, mas da música como instrumento a serviço do povo para mudar ou resistir a uma realidade imposta. Sua história começa na fazenda Grande Alagamar, que abrigava centenas de pessoas que viviam do cultivo de suas terras. Com a morte do seu dono, Arnaldo Araújo Maroja, em 1975, a propriedade foi vendida, e os seus novos donos tentaram expulsar os agricultores que ali viviam. Observe-se que o país vivia sob a ditadura militar.
Deu-se início ao conflito: de um lado estavam os camponeses com apoio da igreja católica, intelectuais e militantes. Do outro estavam os novos donos das terras junto aos seus jagunços, pistoleiros e a Polícia Militar. A cantata tinha como propósito evidenciar o conflito que estava acontecendo em Itabaiana, indo contra a iniquidade que tentava suprimir o direito dos agricultores de continuar nas terras.

domingo, 13 de julho de 2014

1964: uma dose de poesia numa taça desconhecida

Descrição para cegos: Desenho da bandeira nacional com um homem nu amarrado na faixa “Ordem e Progresso” como em um pau de arara.
Era madrugada, e acordei assustado. Tive um sonho. Foi um pesadelo. Suspirei, e fiquei feliz por ter conseguido acordar. Triste, porém, pelo fato de que a consciência que me veio ter sido um tanto dura.

Viajei até os anos sessenta, me despi dos meus trajes e adereços presentes. Eu mesmo era o grito das ruas ensanguentadas. Era a voz da frente, que mesmo abafada, buscava o auto clarear. Me senti burlado, enganado.

Me via nos braços, eu mesmo sendo os braços de bravo da UNE, das mães e dos pais ocupados na preocupação de um regime que não media limites em suas ações. Eu fui ao regime militar. Eu fui ao Brasil que chorou.

Vivi a tristeza de um povo, eu mesmo fiquei tão triste. Fui aos anos noventa, cheguei aos anos dois mil. Senti que cheguei ao meu eu, ao momento presente. Senti que há muitas lembranças, ainda, lá atrás, que clamam vir ao presente, clamam pular o pesadelo, acordar, e respirar o ar, que um dia lhes tomaram.
         
                                                                                         Normando Junior