terça-feira, 11 de julho de 2017

Dois dedos: um da vida, outro da morte

Descrição para cegos: capa do disco Pelas Ruas,
 de Carlinhos Vergueiro, na qual aparece seu rosto
 em close.
Por Rebeca Neto
  
Os anos 60 marcam o ponto alto da Música Popular Brasileira. A crise política que o país enfrentava e a intensa repressão foram o terreno fértil em que floresceram artistas que são, hoje, consagrados.
Em 1977, em parceria, Carlinhos Vergueiro e J. Petrolino, compuseram uma música que revive esse grande momento da MPB. Conhaque retoma os tempos de festivais da canção popular do final dos anos 60 e de confrontos políticos. Para isso, os autores trabalharam a canção fazendo referências às músicas que marcaram a época.
Como uma bebida quente sendo tomada num rigoroso inverno, Conhaque retrata um tempo de vândalos nas madrugadas, de alegrias, travessias e correrias desesperadas: a Ditadura.

“Era um tempo de bandas e disparadas
De vândalos nas madrugadas
De alegrias e travessias e correrias desesperadas”
       
        Neste curto trecho, os compositores conseguem resgatar A Banda, de Chico Buarque, lançada em 1966; Alegria, Alegria, de Caetano Veloso, de 1967; Disparada, composta por Geraldo Vandré e Théo Barros, em 1966; Travessia, de Milton Nascimento e Fernando Brant, de 1967.

“Dois dedos, dois dedos, dois dedos
De uma bebida forte
Dois dedos, dois dedos, dois dedos
Um da vida, outro da morte”
       
Nesta estrofe, J. Petrolino e Carlinhos Vergueiro fazem alusão à canção de Chico Buarque e Gilberto Gil, intitulada Cálice (Cale-se). Esta foi escrita em 1973, mas teve problemas com a censura e só foi lançada cinco anos depois.
Nos últimos versos, a música reitera que é possível resistir, mesmo em tempos de repressão:

“Apesar do nervosismo, resta um pouco de cinismo”

        Confira a música:

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